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sábado, 16 de janeiro de 2010

Despedida do Serginho



Queridos amigos,

Serginho se foi.  Esse e.mail e' para agradecer a todos , dos mais diferentes credos,  que oraram por ele na passagem de ano a meu pedido.  E' tambem para pedir licenca para falar dele e da nossa deliciosa amizade, pois acho que ele deixa uma licao de vida que precisa ser compartilhada.  Alem disso estou longe , triste e precisando muito administrar a emocao  nesse momento em que ele deve estar sendo velado e  preparado para embarcar para  sua ultima viagem .  Queria muito agora poder estar abracadinha com meu filho , meu ex-marido e  nossos inumeros amigos comuns, mas estou longe.  Serginho  nos amava muito.  Ele cumpriu sua missao por aqui de uma forma que  cada dia tento compreender melhor.  Ainda estou sob o impacto dessa noticia e  tentando imaginar como  sera' voltar para o Brasil e nao poder fazer  aquele simples gesto de pegar o telefone , ligar pra ele e ouvir:

- Oi Veroquinhaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

Agradeco cada minuto dessa vida que passei com ele.  Serginho foi um daqueles amigos com o qual eu podia exibir todas as minhas cores, toda  a minha paradoxal humanidade, desde os sentimentos mais rosas e delicados, ate' aqueles mais vermelhos e irados e ter a certeza de que nao o perderia. 
Serginho me poupou inumeras sessoes de Psicanalise, me fez rir e gargalhar muito na vida e foi um daqueles amigos cada vez mais raros,  que  dao a gente o direito de chegar  num encontro meio torto,
meio atravessado e , apesar disso, ser  perdoado com o simples gesto de comparecer ao proximo encontro.  Nao sei se ele era assim com todo mundo, comigo era!  Serginho NUNCA cobrou de mim um formato padronizado.  Nunca cobrou de mim coerencia .  Quando ficava zangado comigo por alguma razao , exibia a raiva ou  a irritacao e saia de perto.  Depois voltava. Voltava sempre.
Isso e' uma bencao! Ele so' queria manter os amigos, nao importa como viessem .  Estou triste nao so' pela perda, mas porque na sua hora mais dificil , eu nao estava la'  , estava  longe.  
Nos falamos pela ultima vez pelo skype, na virada do ano, gracas a extrema sensibilidade da minha queridissima amiga Cristinninha e da Claudia, que sabiam o quanto aquela distancia estava sendo dificil para mim.   Cris, Claudia, voces nao tem ideia do quanto lhes sou grata por aquele momento. 
Jamais esquecerei aquele gesto!

Sou do tipo que quando briga,  depois perdoa e  reconcilia.  Serginho tambem era. Nao quero advogar aqui essa maneira de viver, pois ela nao e' nada facil , da' muito trabalho, mas sou assim e gosto muito de gente assim. Com algumas gentes a gente consegue reconciliar  pelo dialogo , com outras basta a presenca, outras nao nos dao sequer o direito de brigar, quanto mais de reconciliar.  Estou dispensando essas ultimas .  Elas tambem me dao muito trabalho tentando esconder minha humanidade, controlar minhas emocoes.  Me dao muito trabalho com esse amor que nao enfrenta as intemperies de frente, com esse amor que nao consegue exibir todos os matizes, com esse amor que guarda as fortes cores para si e so' exibe os tons pasteis,  que nao consegue salpicar o quadro dos relacionamentos de borroes e depois repintar por cima, que nao consegue se lambuzar na paleta das questoes e problemas , de modo que a tela da vida possa ser freneticamente exuberante e radicalmente sincera e fragil , pois e' assim que acredito que ela e' e e' assim que acredito que somos. A natureza e' sincera, os animais brigam e depois brincam. E' apenas uma troca de poucas letras.  Por que diabos somos seres falantes e nao conseguimos fazer essa simples troca de letras na pratica, porque reprimimos nossa sincera natureza, porque nao conseguimos manter nosso estado de crianca nas relacoes ? Crianca briga e volta, volta e briga, briga e volta a brincar... nunca vi crianca ficar de mal para sempre. Serginho era assim.
Nao culpo as outras gentes por isso e as aceito , mas nao as escolho para a convivencia intima.  Ja' que nao da' para evitar o trabalho que as relacoes necessariamente nos exigem, que cada um escolha a sua estrategia de convivencia.  Eu  prefiro a infantil efervescencia, o dialogo multi-colorido ,  o silencio ensurdecedor ao lado do amigo , o silencio solitario em oracao,  prefiro me lambuzar nos erros, tentar corrigi-los , conviver com as dificuldades, perdoar, explodir, beijar muito , cheirar a testa, a careca e  SEMPRE, sempre, estar presente... mesmo que a presenca esteja provisoriamente dificil de administrar .

Serginho nao me exigia esse insano esforco de reprimir minhas emocoes e eu peco a todas as forcas do bem que o abencoem por isso e me perdoem por nao ter estado la'.

Sempre acreditei que o amor  deveria ser assim.  A desistencia de conviver depois de uma desavenca,  sempre me soou  como desamor.  Pode ate' nao ser para quem se afasta e silencia ,  mas me soa como desamor. Nao falo do afastamento temporario, da ida para a caverna  para refletir, como ele fazia.  Falo aqui no rompimento.  Nao gosto de gente que rompe, especialmente apos os terremotos.  E' um defeito da minha humanidade nao aceitar isso , mas nao gosto mesmo. Amar "ate' o piolho"  (aspas para Adelia Prado ) , pra mim e' isso: festejar, brigar, se afastar, voltar, repousar, perdoar, reconciliar, mas con-viver sempre!  Senao , para mim, nao e' amor e eu, atualmente, comeco a declinar dessas amizades.  Nao tenho mais muito tempo nessa vida e nao quero perde-lo com gente que idealiza o amor, idealiza as amizades,  idealiza um modo de viver,  SE idealiza e, em consequencia, ME  idealiza tambem e nao me permite errar. Quero exercitar o meu pleno direito de errar e ser perdoada e fazer o mesmo com as pessoas  na convivencia,  pois tenho certeza que eu e elas continuaremos sempre errando muito  e nao quero mais desamar ou sofrer de desamor por causa de uma tolice dessas.  Sim... para mim nao passa de tolice!

Gosto de gente que coloca todas as emocoes pra fora diretamente, olho no olho.  Serginho era assim.  Nao  era do tipo que dialogava, mas colocava pra fora.  Quando ficava zangado explodia e se afastava para se acalmar, depois voltava, sempre voltava e permanecia perto con-vivendo, abracando, chorando.  Nossa, quantas vezes choramos juntos!  Dava ao outro o direito de errar e ser perdoado sem dizer uma palavra, repito... sem palavras... apenas ficando e con-vivendo!  E' por isso que sempre tive certeza de que ele amava muito as pessoas e eu lhe sou muito grata por esse amor semelhante.  Digo semelhante porque acho que fui tambem para ele uma amiga assim, pelo menos me parecia .  Nao creio que ele me chamaria sempre de Veroquinhaaaaaaaaaaaaaaaaaa,  daquele doce e absolutamente inesquecivel modo , se nao me sentisse uma parceira de todas as cores. 

Um dia , zangado  porque brigou com a namorada, generalizou a raiva para todas as mulheres do mundo e abandonou a mim e a minha amiga Mariana, a quem tinha sido recem apresentado , em pleno carnaval de Santa Teresa ,  no dia do desfile das Carmelitas, sem a menor cerimonia.  Quem e' carnavalesco sabe muito bem o que isso significa, rsrsrsrsrs.  Tinhamos ido com ele de carona para ver o desfile e tivemos que voltar pra casa,  eu e ela a pe' , no meio do delirio momesco , tentando  entender aquela intempestiva atitude. Ficamos de mal muuuuuuuuuuuuito  tempo por causa disso, acho que... sei la'... talvez... DOIS DIAS!    Rsrsrsrsrsrsrrssr.  Na semana seguinte estavamos juntos de novo, as gargalhadas , no bar de costume.  O assunto virou  piada e ele nao gostava que eu lembrasse, porque ficava envergonhado do que fez. Eu lembrava de vez em quando para que ele tivesse a certeza de que NADA tinha mudado MESMO no nosso afeto depois daquilo.  Nos amavamos de verdade e integralmente, ponto! .   Ele perdoava sempre e naquele dia acho que exibiu carnavalescamente a sua intempestividade para testar se a reciproca seria verdadeira. E foi! Depois de dizer a ele os improperios que ele merecia, nos abracamos, choramos e nos perdoamos.

Isso para mim e' amor.  Fazer o que se sofro dessa maluquice de ver o amor desse modo ?  Fazer o que se isso pode soar para alguns como erro conceitual ou incapacidade de viver harmoniosamente? Vivo e convivo muito harmoniosamente com pessoas como Serginho.  Sou vinho da mesma cepa! Tem gente que acha que o amor deve ser so' delicadezas.  Desculpe, mas nao penso assim e acho que ele tambem nao pensava, ainda que nao tivesse muita consciencia disso. O verdadeiro amor erra e nao morre, resiste aos vendavais, se aborrece, perde a paciencia,  perdoa e volta.  Sou reincidente nessa forma de amor e nao acho que isso possa ter mais jeito na minha vida. Vou morrer disso ,  com isso e por isso !

Serginho gostava que eu ficasse horas nos bares cantando ou  falando poemas.  Eu  perdia as vezes a paciencia com ele  pois,  se eu deixasse , ele queria que eu ficasse fazendo aquilo ate' o sol comecar a despontar no horizonte e nem sempre eu estava disponivel internamente .  Jamais se cansava de pedir  cancoes e poemas para ouvir.  O limite era sempre eu que dava.  Ele nao tinha limites para isso.  Criancas nao tem limites.  Nunca sabia o nome do poema.  No entanto , sempre guardava a ideia essencial! Entao me falava a ideia essencial sem lembrar de uma palavra sequer do verso e ficava ali, esperando eu  varrer toda a memoria procurando por um arquivo com ideia-chave, mas sem palavra-chave.  Geralmente meu sistema de busca era eficiente e eu acabava achando, mas as vezes aquilo me exigia muito, me cansava.  Entao  eu respondia , impaciente,  que nao sabia qual era o poema, nao me esforcava para atender o pedido (as vezes estava simplesmente com preguica) e ele ficava chateado, insistia, insistia, insistia tanto ... que a gente brigava! No entanto eu tinha certeza que seria perdoada.  
E era, sempre fui ! Por isso eu deixava a irritacao sair... eu podia ser irritada com Serginho!  
Repito em alto e bom som:  
EU PODIA DEMONSTRAR MINHA IRRITACAO COM SERGINHO!
Que conforto nao ser obrigada a ser a "menininha boazinha" ! Que conforto ser amada  desse modo integral! Amar os "bonzinhos" e' facil, amar gente que poe a raiva pra fora e' dificil. Mas nos amavamos. Ele me amava inteirinha e eu tambem o amava inteirinho, com toda aquela louca in-tempestividade carregada de amor e paixao pelos amigos.

Amigos como esses , que estao presentes na delicadeza e voltam depois de humanas trocas de mal humor e improperios, sao cada dia mais raros e mais caros. Sao joias raras.  Sao amigos , como disse, que economizam sessoes de psicacalise.  Serginho NUNCA foi tema de minhas sessoes de terapia.  Nunca precisei falar dele, era afeto garantido, com denominacao de origem e certificado ISO.  Serginho era um amigo que desopilava  o figado, a cabeca, o coracao, a alma cansada, que sacodia a poeira do tedio e da hipocrisia,  num  mundo repleto de  falsos  bonzinhos que lotam a convivencia cotidiana de
afetos mediocres,  porque talvez ainda nao tenham aprendido a beleza de  amar bem colorido e apaixonadamente.  
Que prazer viajar com Serginho para Friburgo e Porto Seguro! 
Que prazer rir com Serginho! Que prazer sentar no bar com Serginho!
Que prazer atender aos pedidos de Serginho!  Que prazer NAO atender aos pedidos!
Que prazer poder brigar com Serginho! 
Que prazer poderia ter sido servir ao Serginho se ai estivesse, mas eu nao estava!
E isso ta' doendo hoje mais do que posso suportar. 
Amei esse amigo ate' o piolho.

Obrigada meu amigo, por essa linda amizade que me permitiu ser inteira com todas as minhas humanas qualidades e defeitos.  Se Deus realmente existe, que me perdoe pelo que vou dizer agora, mas eu nem precisaria de espiritualidades se todas as gentes me permitissem ser inteira como voce me permitiu. Foi uma honra compartilhar essa louca viagem por aqui  com voce.  Sem voce o espetaculo da vida ficara' um pouquinho mais sem graca e a minha integridade mais em risco.

Choro aqui hoje, nesse Canada' lindo, mas triste e nevado,  a morte de um amigo do meu Comite de Seguranca Pessoal . Um amigo do Incrivel Exercito de Brancaleone,  como ele sempre gostava de nos chamar, explicando em seguida as razoes.  Vou  ter que ser muito forte para superar a dor de nao ter estado com ele nos ultimos momentos e de nao poder abraca-lo na minha volta.

Obrigada a todos voces pelas oracoes e por terem conseguido ler esse imenso desabafo ate' aqui.  Serginho era um parceiro do modo de ser no mundo que acredito, um raro parceiro.  
Nao e' facil sobreviver feliz , `a ausencia de um amigo como esse.
Que as forcas do bem nos fortalecam sempre nesses momentos e continuem nos  dando lucidez e protecao.

A Deus  peco amparo para meu amigo, aonde quer que ele esteja.
Verinha
Soldado raso e mutilado do Incrivel Exercito de Brancaleone.







terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Confetes de Montreal 2



Ola' Miguinhos e Miguinhas,

O inverno chegou por aqui.  Tivemos hoje a primeira nevasca com temperaturas variando entre 3 C e - 2C.  Foi pequena e tolinha, comparativamente ao que esta' por vir.  No entanto, ao sair de casa as 7h da manha para o Centro de Artes, conclui que jamais chegaria pontualmente a aula de Aquarela se nao empreendesse,  imediatamente, uma nova missao de reconhecimento nas redondezas .  Se um de voces decidir vir me visitar aqui durante o inverno, e' bom que leia atentamente o relatorio da missao.
Ai vai ele:

1. Carro - Joaninha  motorizada branca com mascara de vidro do batman
2. Taxi - Joaninha motorizada branca com mascara de vidro de batman e bone' amarelo
3.  Bus stop - Caixa de vidro alta com tampa branca
4.  Onibus - Centopeia vitaminada amarela vestida de noiva, se for da especie escolar.  Azul se for da   especie publica.
5.   Arvores - Fantasmas brancos de bracos esqualidos que apontam para o ceu , se da especie "maioria"
6.   Pinheiro - Arvore verde da especie "minoria"
7.   Limusine - Lagarta gigante branca e detefonada que mora num casulo na esquina.
8.   Hidrante - Anao vermelho de nariz branco
9.  Gente - Urso polar fora de padrao com pelagem colorida.
10. Enxame de vagalumes - decoracao natalina
11.  Sinal de PARE - boneco de neve bi-dimensional

Fim da missao .
Brrrrrrrrrrrrrrrrrrrr

PS.: Continuo sem acentos, cedilhas... essas coisas sem importancia para eles, humpft!

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Confetinho de travesseiro

Sempre tive o hábito de refinar no diálogo as críticas e os elogios que a mim chegavam. Foi assim que lapidei alguma integridade nessa vida.  Se tivesse tão somente ouvido as críticas ou os elogios , talvez tivesse sido desencaminhada por atalhos mudos. Tendo despendido verbo, tempo e atenção a ambas as coisas, hoje caminho completamente de quatro, mas pelo menos conservei curiosidade, perplexidade e coragem na travessia.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Serpentina de Montreal 1 - Consumo de roupas



Para uma cidade com pouco mais de 2 milhoes de habitantes, a quantidade de lojas de roupas em Montreal surpreende.  Nao sei como explicar a sobrevivencia dessas lojas, especialmente quando passo e vejo apenas 2 ou 3 clientes la' dentro .

A grande maioria das pessoas por aqui pode ter acesso as mesmas roupas da minoria mais abastada, basta para isso comparecer a ultima liquidacao antes da proxima estacao .  Os precos ao final da estacao vao caindo semanalmente e nos ultimos dias paga-se realmente muito pouco por boas roupas.  A frase que mais se ouve nesses momentos e':
- Let's buy, we have nothing to loose!. (Vamos comprar, nao temos nada a perder!) .
Nunca vi tanta liquidacao na minha vida e tanta roupa de qualidade a precos baixos . Falando assim parece NY, mas como a cidade e' bem menor, a gente nao sente aquele burburinho do consumismo desenfreado que se costuma sentir em NY, o que nao quer dizer que ele nao exista. Acho, no entanto, que a presenca da cultura francesa talvez ponha uma pitada de juizo na coisa, pitada essa que nao consigo sentir em NY, sei la'!

Todas as grandes marcas com colecao pret-a-porter tem presenca aqui: Calvin Klein, Giorgio Armani , DonnaKaran, etc. Usar essas marcas por aqui nao e' coisa de novo rico,e' coisa de antigo rico, rsrsrsrsrsr. Sao apenas marcas que existem no mercado e ponto. Ninguem da' muita bola pra elas. Marca de rico e' Chanel , por exemplo, como alias em qualquer parte do mundo, rsrsrsrs.

Os que nao conseguem comprar roupas no lancamento ou na ultima liquidacao,podem se dirigir a uma das lojas das cadeias de roupas usadas (Village de Valeurs , Fripe-Prix ) e comprar a mesma blusa cujo preco regular seria de 90 dolares por 10. E' preciso ter tempo e apurar o olhar, pois as lojas sao enormes, mas sempre se acha algo em bom estado a baixo custo. Achei uma camisa de excelente qualidade de uma marca que jamais ouvi na vida , praticamente nova, por 5 dolares (canadenses, nao se esquecam!). E o que e' melhor, a gente nao paga as taxas de Quebec na cadeia Fripe-Prix (na outra nao me lembro).

Um outro jeito de comprar roupas muito boas pela metade do preco, e' visitar comerciantes que vendem em suas casas. Ha' muitos imigrantes por aqui e a Economia Informal e' comum e tao frenetica quanto a Economia Formal.

Aqueles ainda menos abastados podem se dirigir `a igreja mais proxima um pouco antes do inicio da proxima estacao e conseguir , de graca , excelentes roupas doadas pelos fieis. No Brasil tambem temos pessoas que organizam voluntariamente essas atividades. A diferenca que senti , no entanto, foi na qualidade das doacoes que, por aqui, realmente surpreende. Nao estou exagerando, qualquer um de nos ficaria muito bem vestido com quase tudo que vi na feira da igreja que fui. Soube, no entanto, que aquela e' uma das melhores feirinhas de doacoes da cidade. Fica no Boulevard Pierrefonds. Ha' uma outra na regiao do metro, mas nao sei onde exatamente.

Confete com purpurina : Vi um mendigo lucido, cheio de moedas no chapeu , com um paleto' Hugo Boss pendurado no ombro em perfeito estado , ainda que muito, mas muito sujo mesmo . Nao podia ter deixado de eternizar o paradoxo daquela imagem, mas estava sem a minha maquininha de estimacao.
Me auto-flagelo nesses momentos!

Confete na lama : Ha' abrigos suficientes para todos os cidadaos sem casa mas, como e' comum acontecer em outros paises, por aqui tambem deixam muito a desejar. Ainda nao fui visitar nenhum , mas ja' ouvi coisas assustadoras a respeito deles.

Por hoje e' so'.
Beijo
ps.: o frio esta' chegando, brrrrrrrrrrrrrrrrrrr

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Janela de outono


















Janela de outono - Vera Mello
              Montreal, outubro de 2009

nos galhos desnudos
raras folhas de maple
suportam a crueldade do frio
indicam o rumo do vento
o destino dos sonhos
o valor do acaso
tempo meu de ocaso
                 pra elas me visto
                 por elas caminho
                 por elas me atalho
é delas que ainda me valho
quando me desfolho
e resisto

        

Confetes de Montreal

Alguns amigos pediram que eu enviasse noticias do cotidiano aqui de Montreal. Ai vao algumas.

1. Motorista de onibus da' bom dia a cada passageiro que entra . Existem motoristas mulheres lindas e perfumadas, motoristas homens bonitos , mas nao tao perfumados, rsrsrsrs... e eu vi ontem, pela primeira vez desde que cheguei (ha' 6 meses) , um onibus ultrapassando o outro. Tomei o maior susto! rsrsrsrsrsrs.
2. Criancas deficientes , idosos e doentes mentais , podem ser hospedados por familias que recebem subvencao do governo para isso. A maioria das casas que frequento "hospeda" alguem. E' um "negocio" por aqui e um programa de governo. Muita gente sobrevive disso. A cada 2 meses a Assistente Social responsavel por aquelas PESSOAS (e nao pelo programa generico) , promove uma reuniao de acompanhamento e avaliacao com : os Medicos que tratam delas, os pais de sangue, os pais hospedeiros , a Nutricionista e a Enfermeira responsavel direta por eles nas Instituicoes que frequentam durante o dia (geralmente centros de recuperacao). O programa tem problemas, claro, algumas pessoas tratam mal os Clientes (e' assim que eles chamam), outras declaram mais do que gastam com eles , mas ... senti inveja.
3. Ainda nao ouvi , ate' agora, nenhum barulho de briga, lixeiro, festa ou obra e sei que existem brigas, nao vejo lixo na rua, as pessoas dao MUITAS festas e minha rua e' um loteamento novo cheio de casas em construcao.
4. Ainda nao vi nada que agredisse os meus olhos, exceto quando viajei para os Estados Unidos e dei de cara com uma vitrine Prada.
5. O unico aroma desagradavel que senti ate' agora foi o dos gambás quando são atropelados nas estradas. Embora sejam mais bonitinhos que os nossos, no que compete ao aroma, não há diferença.
6. Ainda nao ouvi nenhuma conversa desagradável e , em media, a cultura das pessoas e' boa e o nivel educacional alto.
7. Reclamam as mesmas coisas dos políticos. Tem corrupção por aqui. Tenho sabido de coisas estarrecedoras, mas acho que por terem dinheiro e viverem bem, fazem vista grossa .
8. A antipatia recíproca entre franceses e ingleses continua absolutamente a mesma e o separatismo também.
9. A segurança na cidade e' boa, mas acontecem baixarias por aqui tambem : ladrao que invade casa (mais comum do que se pensa), estuprador pegando mulher nas moitas dos parques, ladrao de bolsa etc. Mas nao tem traficante abatendo helicoptero , embora eu tenha visto muitos adolescentes fumando maconha nas ruas.
10. Ai, ai... tentam te pegar para comprar TUDO e os truques sao de todos os tipos, simples e sofisticados. Tem que ficar de olho. So' nao e' pior que os Estados Unidos, mas em comprite nao ficam muito longe nao, consomem bastante.
11. Estao distribuindo folhetos de prevencao contra a gripe suina. Tem anuncio por toda parte avisando para espirrar no braco, perto do cotovelo e nao nas maos . Estao tambem comecando a vacinar a populacao contra a gripe suina (criancas e idosos primeiro). Soube pela empregada da casa que uma senhora em Toronto ou Vancouver tomou a vacina e comecou a andar para tras. O pior e' que e' verdade, lamento informar ...e ninguem sabe explicar a razao, mas tem gente ja' com receio de se vacinar. A imprensa fala do assunto, esclarece, mas nao e' alarmista.

Por hoje e' so', quem tiver curiosidade de saber mais me avise.
Beijos cheios de saudade do nosso calorzinho humano

domingo, 19 de abril de 2009

Degustando

Cada dia mais silenciosa, cultivo as palavras sem assombro.
Palavras o dicionário congela, o povo descongela. O poeta?
Entorna e bebe.