Vera Mello
segunda-feira, 11 de novembro de 2019
quarta-feira, 6 de novembro de 2019
Me pega pela mão
Vera Mello
me pega
pela mão
me leva
para ver os lírios
de um jeito
que nunca vi
me deixa te
ver de novo
com os
olhos da minha criança
depois me
roda, me dança
me pega
pela mão
deixa que
eu sinta na minha
todas as
linhas da tua
em cada
curva da rua
me mostra
de novo os rios
as flores
do campo crescendo
as
dormideiras, bromélias
as
borboletas em festa
me dá de comer jamelão
me beija com
a língua roxa
me
presenteia com um buquê
feito de
hortênsias de estrada
ou de
bocas-de-leão
e no final
desse dia
depois que
o sol for embora
me desvesta
pra dormir
onde eu
possa ouvir a noite
rega de
semen o jardim
que mora no
meu avesso
pra que
brote essa mulher
que eu quis
ser desde o começo
PS.: Esses versos ganharam valsa do querido músico Thiago da Serrinha.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2018
NO NATAL AS MEMÓRIAS SE INQUIETAM
O barulho da chuva encobria nosso silêncio naquela manhã. A vida não era fácil no subúrbio. Tudo era medido, contado, usado com parcimônia. Só as águas eram abundantes. De tudo sempre, mas pouco: carne, frango, peixe, salada, legumes frescos. Muitos ítens vindos do quintal. Passávamos restrições, nunca fome. Teríamos maxixe para o almoço, vi o pacote quando ela chegou da feira. As grandes especialidades da mãe eram: cozinhar, costurar , cantar, batucar, brincar e reprimir. Não necessariamente nessa ordem. Naquele dia, eu não pude ir à Escola. Tivera febre alta à noite. Criança entediada na minha vizinhança não via TV. Eram raras. Quem tinha compartilhava, às vezes, com os vizinhos. Era um momento especial, um evento, como uma reunião festiva entre amigos. Leitura? Só as indicadas pela Escola. Livro fora da lista escolar era coisa de gente abastada. Havia uma minuscula biblioteca pública a poucas estações de trem de casa, mas crianças não podiam ir sozinhas até lá e as mães não as levavam em dias de temporal. Dia de febre, sem biblioteca, sem escola e sem rua, era para brincar na cozinha, aporrinhar a mãe com perguntas e atrapalhar o fluxo das tarefas domésticas. Um pouco antes do almoço, ela começou a abrir o saquinho de maxixes. Pediu que eu pegasse uma caixa de fósforos. Corri para o armário próximo ao fogão. Entreguei a caixa e fiquei ao lado dela, cauda abanando, cadelinha à espera do graveto. Pegou um daqueles maxixes com rabinho. Enfiou, cuidadosamente, quatro fósforos num dos lados. Pernas. Partiu dois outros e enfiou na parte da frente do maxixe até a ponta escura. Olhos. Abriu espaço na ponta da pequena bancada. Colocou o recém-nascido ali. Rápido fez um outro, e mais outro. Trigêmeos. Normalmente a ninhada de porcos-espinhos rabudos era de um só. Em dia de chuva com febre, a prole aumentava. Ao lado, um funil de cabeça para baixo. Tenda com chaminé. Um tabuleiro com água. Lago. Uma travessinha pequena de plástico. Barco. Iniciei a travessia dos filhotes, enquanto os outros , potenciais, eram fatiados na panela sobre o refogado de tomate e cebola. As mãos dela, para mim, eram como as de Deus, estavam por toda parte. Vez por outra ela interferia e mudava o destino dos filhotes e o curso da história, bastava perceber uma fagulha de tédio nos meus olhos. Em casos extremos, um peteleco fazia um filhote cair no lago. Meu barco, que até então se deslocava lentamente, partia em velocidade para o salvamento. Entre raios e trovões, o início da tarde testemunhou dezenas de novos cenários e enredos. Ao ranger da porta de entrada , a voz da mãe pediu que me afastasse do fogão. Os irmãos voltavam da escola. Hora de banha de porco quente e frituras. Artistas de subúrbio éramos nós. Desses cuja alegria vaga pelas estropiadas vielas. Desses cuja imaginação expande o espaço exíguo. Desses que compartilham e colorem tudo, até o abandono e a escassez.
domingo, 12 de fevereiro de 2017
PUDIM DE ABACATE SEM GLÚTEN, LEITE E AÇÚCAR
Ingredientes
3 abacates maduros e
grandes
3 a 6 colheres (sopa)
de leite de coco
2 colheres (sopa) de
mel puro
1/4 de xícara de
cacau em pó
2 colheres (chá) de
óleo de coco
1 colher (chá) de extrato
de baunilha
Modo de preparo
Adicione todos os
ingredientes no liquidificador e bata em velocidade máxima por cerca de um
minuto. Quando a mistura
tiver homogênea, coloque numa forma e leve para a geladeira. Deixe descansar por
meia hora e depois aproveite.
terça-feira, 28 de junho de 2016
PARABÉNS HERMETO !
Estava viajando e acabei esquecendo de homenagear o Bruxo da Música Popular Brasileira que fez 80 anos no dia 22 de junho. Quem vê Hermeto Pascoal pela primeira vez fazendo das suas, não imagina que ele (se quisesse e se ainda tivesse algum tesão nisso) saberia tocar "quadradinho", não só piano, como flauta transversa, sanfona, bateria, violão e que tudo, rigorosamente tudo em suas mãos, vira coisa musical : xícara, porco, piscina vazia, abelha e o que mais lhe der na telha, inclusive o próprio corpo. A música de Hermeto é universal. Aldir Blanc lhe prestou uma bela homenagem letrando "Chá de Panela", música que trata do universo de Hermeto em parceria com Guinga . Há dez anos fiz minha homenagem aos 3 executando o objeto da foto com coisas de cozinha. O objeto hoje dá um toque musical às minhas panelas cotidianas.
Obrigada Hermeto! Obrigada Aldir ! Obrigada Guinga!
Nome do objeto? Chá de panela.
Confira a letra de Aldir abaixo. É aula de Hermeto.
Foto do objeto Juliana Ennes. Foto do bruxo nao sei o autor, mas parabenizo.
Chá de Panela (Guinga e Aldir Blanc)
Hermeto foi na cozinha pra pegar o instrumental :
do facão à colherinha tudo é coisa musical.
Trouxe concha e escumadeira, ralador, colher de pau,
barril, tirrina, e peneira - tudo é coisa musical.
Me convidou para uma pinga,
meu não pesou com dó,
piscou um olho só,
disse que eu tiro da seringa,
que home que não bebe e nega mocotó,
acaba quenga em vez de guinga,
se veste de filó afrouxa o fiofó
e o ferrão já nem respinga:
encolhe feito um nó e vai ficar menó...
Assoprou numa chaleira,
bateu numa bacia.
Jesus , Ave Maria,
era uma sinfonia!
Secador e geladeira entraram no compasso,
dançou a farinheira, saleiro no pedaço
e tudo era coisa musical,
funil mandando: ôi!
fogão gritando: uau!
Fez um chocalho de arroz e outro de feijão
No talo do mamão soprou a flauta
que já vi tocá mais doce irmão, direto ao coração.
Assoprou numa chaleira, bateu numa bacia...
Nesse chá de panela que eu senti a vocação:
vi que música é tudo que avoa e rasga o chão.
Foi Hermeto Paschoal que magistral
me deu o dom de entender
que do lixo ao avião em tudo há tom
E que até pinico da bom som
se a criação é mais
se o músico for bom
Chá de Panela (Guinga e Aldir Blanc)
Hermeto foi na cozinha pra pegar o instrumental :
do facão à colherinha tudo é coisa musical.
Trouxe concha e escumadeira, ralador, colher de pau,
barril, tirrina, e peneira - tudo é coisa musical.
Me convidou para uma pinga,
meu não pesou com dó,
piscou um olho só,
disse que eu tiro da seringa,
que home que não bebe e nega mocotó,
acaba quenga em vez de guinga,
se veste de filó afrouxa o fiofó
e o ferrão já nem respinga:
encolhe feito um nó e vai ficar menó...
Assoprou numa chaleira,
bateu numa bacia.
Jesus , Ave Maria,
era uma sinfonia!
Secador e geladeira entraram no compasso,
dançou a farinheira, saleiro no pedaço
e tudo era coisa musical,
funil mandando: ôi!
fogão gritando: uau!
Fez um chocalho de arroz e outro de feijão
No talo do mamão soprou a flauta
que já vi tocá mais doce irmão, direto ao coração.
Assoprou numa chaleira, bateu numa bacia...
Nesse chá de panela que eu senti a vocação:
vi que música é tudo que avoa e rasga o chão.
Foi Hermeto Paschoal que magistral
me deu o dom de entender
que do lixo ao avião em tudo há tom
E que até pinico da bom som
se a criação é mais
se o músico for bom
segunda-feira, 16 de maio de 2016
AH, PERAÍ, ESPERA AÍ! NÃO! NÃO! NÃO! ESPERA AÍ !
QUE PATRIMÔNIO PERDEMOS!
A primeira vez que vi um cantor, diferente de meu pai e de minha mãe, cantando ao vivo, foi em Piedade. Eu era criança, a família se vestiu com a melhor roupa que tinha, praticamente a mesma para todos os dias de festas. Fomos vê-lo cantando e aguardávamos ansiosos o momento de " Conceição". Ah... eu me lembro muito bem! A alegria da família musical indo ao teatro perto de casa, a compra dos tickets, o ritual de entrada, a procura das cadeiras. Depois o timbre original e os graves e agudos daquela voz poderosa que , à época, o Brasil já começava a reconhecer que viraria referência .
Cauby foi um dos mais longevos e incansáveis operários da música brasileira e penetrou, de forma indelével e brilhante, nos camarins dos corações de quem gostava e de quem não gostava dele.
A ele a minha gratidão.
https://www.youtube.com/watch?v=MFTOPMwt-i0
https://www.youtube.com/watch?v=MFTOPMwt-i0
quinta-feira, 3 de março de 2016
Alô Niterói!
Não falei que o Ateliê andava a mil?
Minha homenagem hoje vai pra vocês que moram naquela cidade lindinha lá do outro lado da ponte.
Alguns dizem que para criar o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, Niemeyer teria se inspirado numa taça, outros numa flor, talvez uma tulipa. Outros ainda, desconfiam que foi num disco voador . A versão disco é a minha favorita. Quem passa à noite com o espelho d’água iluminado pode testemunhar o disco de-co-lan-do e sentir uma espécie de epifania interestelar, se é que me entendem, rsrsrsrsr. Só não sente e não vê quem não quer , quem não sabe transver o mundo ou quem não é bocó como eu. Eu vi. E com marcianinhos e tudo, rsrsrsrs.
Visite o ateliê Vera Mello no link endereço https://www.colab55.com/@veramello.
O MAC com os marcianinhos já está lá nas versões: Poster, cartão postal, caneca e sandália.
As tirinhas das sandálias podem ser tradicionais ou slim e há 8 variedades de cores a escolher .
Não vou ficar nem um pouquinho chateada se vocês contarem a novidade para os amigos, prometo! rsrsrsrsr.
Beijoca










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