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segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Faça uma visitinha ao ateliê Vera Mello no endereço colab55.com/@veramello.
Lá você encontrará canecas como essas e poderá adquirir também cases, sandálias, posters, cartões, sketchbooks, almofadas e muitos outros produtos com essas e outras imagens para presentear os amigos.
Um Feliz Natal e ótimo Ano Novo para todos.
Vera Mello


domingo, 8 de dezembro de 2019

Tornado eleitoral    
                   Vera Mello

  todo futuro
           muro
  toda justiça
           blefe
  toda notícia
          isca
qualquer lucidez
           miragem
qualquer caminho
           rastilho
  qualquer discussão
             faísca

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

      Dupla Síndrome de Estocolmo
                                       Vera Mello











quarta-feira, 6 de novembro de 2019




Me pega pela mão 
                Vera Mello 

me pega pela mão
me leva para ver os lírios
de um jeito que nunca vi
me deixa te ver de novo 
com os olhos da minha criança
depois me roda, me dança

me pega pela mão
deixa que eu sinta na minha 
todas as linhas da tua
em cada curva da rua
me mostra de novo os rios
as flores do campo crescendo
as dormideiras, bromélias
as borboletas em festa
me dá de comer jamelão
me beija com a língua roxa
me presenteia com um buquê
feito de hortênsias de estrada 
ou de bocas-de-leão

e no final desse dia
depois que o sol for embora
me desvesta pra dormir
onde eu possa ouvir a noite
rega de semen o jardim 
que mora no meu avesso
pra que brote essa mulher
que eu quis ser desde o começo

PS.: Esses versos ganharam valsa do querido músico Thiago da Serrinha. 


segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

NO NATAL AS MEMÓRIAS SE INQUIETAM
O barulho da chuva encobria nosso silêncio naquela manhã. A vida não era fácil no subúrbio. Tudo era medido, contado, usado com parcimônia. Só as águas eram abundantes. De tudo sempre, mas pouco: carne, frango, peixe, salada, legumes frescos. Muitos ítens vindos do quintal. Passávamos restrições, nunca fome. Teríamos maxixe para o almoço, vi o pacote quando ela chegou da feira. As grandes especialidades da mãe eram: cozinhar, costurar , cantar, batucar, brincar e reprimir. Não necessariamente nessa ordem. Naquele dia, eu não pude ir à Escola. Tivera febre alta à noite. Criança entediada na minha vizinhança não via TV. Eram raras. Quem tinha compartilhava, às vezes, com os vizinhos. Era um momento especial, um evento, como uma reunião festiva entre amigos. Leitura? Só as indicadas pela Escola. Livro fora da lista escolar era coisa de gente abastada. Havia uma minuscula biblioteca pública a poucas estações de trem de casa, mas crianças não podiam ir sozinhas até lá e as mães não as levavam em dias de temporal. Dia de febre, sem biblioteca, sem escola e sem rua, era para brincar na cozinha, aporrinhar a mãe com perguntas e atrapalhar o fluxo das tarefas domésticas. Um pouco antes do almoço, ela começou a abrir o saquinho de maxixes. Pediu que eu pegasse uma caixa de fósforos. Corri para o armário próximo ao fogão. Entreguei a caixa e fiquei ao lado dela, cauda abanando, cadelinha à espera do graveto. Pegou um daqueles maxixes com rabinho. Enfiou, cuidadosamente, quatro fósforos num dos lados. Pernas. Partiu dois outros e enfiou na parte da frente do maxixe até a ponta escura. Olhos. Abriu espaço na ponta da pequena bancada. Colocou o recém-nascido ali. Rápido fez um outro, e mais outro. Trigêmeos. Normalmente a ninhada de porcos-espinhos rabudos era de um só. Em dia de chuva com febre, a prole aumentava. Ao lado, um funil de cabeça para baixo. Tenda com chaminé. Um tabuleiro com água. Lago. Uma travessinha pequena de plástico. Barco. Iniciei a travessia dos filhotes, enquanto os outros , potenciais, eram fatiados na panela sobre o refogado de tomate e cebola. As mãos dela, para mim, eram como as de Deus, estavam por toda parte. Vez por outra ela interferia e mudava o destino dos filhotes e o curso da história, bastava perceber uma fagulha de tédio nos meus olhos. Em casos extremos, um peteleco fazia um filhote cair no lago. Meu barco, que até então se deslocava lentamente, partia em velocidade para o salvamento. Entre raios e trovões, o início da tarde testemunhou dezenas de novos cenários e enredos. Ao ranger da porta de entrada , a voz da mãe pediu que me afastasse do fogão. Os irmãos voltavam da escola. Hora de banha de porco quente e frituras. Artistas de subúrbio éramos nós. Desses cuja alegria vaga pelas estropiadas vielas. Desses cuja imaginação expande o espaço exíguo. Desses que compartilham e colorem tudo, até o abandono e a escassez.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

PUDIM DE ABACATE SEM GLÚTEN, LEITE E AÇÚCAR


Ingredientes

3 abacates maduros e grandes
3 a 6 colheres (sopa) de leite de coco
2 colheres (sopa) de mel puro
1/4 de xícara de cacau em pó
2 colheres (chá) de óleo de coco
1 colher (chá) de extrato de baunilha

Modo de preparo

Adicione todos os ingredientes no liquidificador e bata em velocidade máxima por cerca de um minuto. Quando a mistura tiver homogênea, coloque numa forma e leve para a geladeira. Deixe descansar por meia hora e depois aproveite.

terça-feira, 28 de junho de 2016

PARABÉNS HERMETO !

Estava viajando e acabei esquecendo de homenagear o Bruxo da Música Popular Brasileira que fez 80 anos no dia 22 de junho. Quem vê Hermeto Pascoal pela primeira vez fazendo das suas, não imagina que ele (se quisesse e se ainda tivesse algum tesão nisso) saberia tocar "quadradinho", não só piano, como flauta transversa, sanfona, bateria, violão e que tudo, rigorosamente tudo em suas mãos, vira coisa musical : xícara, porco, piscina vazia, abelha e o que mais lhe der na telha, inclusive o próprio corpo. A música de Hermeto é universal. Aldir Blanc lhe prestou uma bela homenagem letrando "Chá de Panela", música que trata do universo de Hermeto em parceria com Guinga . Há dez anos fiz minha homenagem aos 3 executando o objeto da foto com coisas de cozinha. O objeto hoje dá um toque musical às minhas panelas cotidianas. Obrigada Hermeto! Obrigada Aldir ! Obrigada Guinga! Nome do objeto? Chá de panela. Confira a letra de Aldir abaixo. É aula de Hermeto. Foto do objeto Juliana Ennes. Foto do bruxo nao sei o autor, mas parabenizo.

 Chá de Panela (Guinga e Aldir Blanc)

Hermeto foi na cozinha pra pegar o instrumental :
do facão à colherinha tudo é coisa musical. 
Trouxe concha e escumadeira, ralador, colher de pau,
barril, tirrina, e peneira - tudo é coisa musical. 
Me convidou para uma pinga,
meu não pesou com dó,
piscou um olho só,
disse que eu tiro da seringa,
que home que não bebe e nega mocotó,
acaba quenga em vez de guinga,
se veste de filó afrouxa o fiofó
e o ferrão já nem respinga:
encolhe feito um nó e vai ficar menó...

Assoprou numa chaleira,
bateu numa bacia.
Jesus , Ave Maria,
era uma sinfonia!
Secador e geladeira entraram no compasso,
dançou a farinheira, saleiro no pedaço
e tudo era coisa musical,
funil mandando: ôi!
fogão gritando: uau!
Fez um chocalho de arroz e outro de feijão
No talo do mamão soprou a flauta
que já vi tocá mais doce irmão, direto ao coração.
Assoprou numa chaleira, bateu numa bacia...
Nesse chá de panela que eu senti a vocação:
vi que música é tudo que avoa e rasga o chão.
Foi Hermeto Paschoal que magistral
me deu o dom de entender
que do lixo ao avião em tudo há tom
E que até pinico da bom som
se a criação é mais
se o músico for bom