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sábado, 3 de setembro de 2011

Inverno no Canadá

Recebi ontem um telefonema de minha querida amiga A. A.  de Montreal.   Conversamos longamente sobre nossas coisinhas tolas. Falamos dos amigos comuns,  da nova casa , das saudades que sentimos  uma da outra e , como não poderia deixar de ser, daquele assunto tão importante e que nunca sai de pauta por lá:  as previsões do tempo para o próximo inverno.  Quando falávamos nisso, me lembrei que prometi em algum momento por aqui, colocar fotos das 4 estações do segundo país que aprendi a amar. Alguém disse certa vez que não viajamos por países ou cidades, viajamos por pessoas.  É claro que me refiro aqui aos queridos amigos que tenho por lá e que sempre despontam na mente quando ouço o nome Canadá.  Acho que a promessa foi feita na postagem realizada quando estava de volta para o Brasil da última vez .  Como não pedi autorização para tornar suas imagens públicas, deixo aqui imagens sem pessoas, mas eles estão por dentro do espírito dessas românticas casinhas.
Não tenho postado muito ultimamente.  Ando sem ânimo para escrever, mas cheia de ânimo pela vida.  Apenas as palavras me parecem cada dia mais insuficientes e inoperantes para expressar as emoções que sinto.  Nem na poesia elas me revelam mais, seu poder anda fraco frente às experiências que a vida tem me proporcionado.   Meu gato , Mestre do Silêncio, tem me dado importantes lições nessa matéria. Talvez algum dia escreva sobre isso, quem sabe?  Ainda bem que existe a fotografia.
Aí vai parte de minha dívida. Começarei pelo inverno. Até.



Plateau Mont Royal - Montreal

Montreal

Montreal


Montreal

Montreal



Montreal

Montreal

Montreal

Quebec city

Québec city

Escultura no gelo em Québec city

Concurso de esculturas na neve durante o Carnaval em Québec city

Concurso de esculturas na neve durante o carnaval em Québec city

Concurso de esculturas na neve em Québec city

Concurso de esculturas na neve em Québec city

Castelo de gelo erguido para o Carnaval em Québec city

Québec city

Enxame de vagalumes natalinos em Québec city

Québec city

Québec city

Québec city

Québec city


Plateau Mont Royal - Montreal

Casa de amigos em Montreal

Montreal

Montreal

Primeiro boneco de neve que avistei naquele ano  - Montreal

Montreal

Montreal

Montreal

Old Point Claire - Montreal

Old Point Claire - Montreal

Old Point Claire - Montreal























sábado, 5 de março de 2011

Carnaval 2011 - serpentina 2




 Olá queridos,

 Segurem essa outra serpentina aí.

 Beijo purpurinado e boa folia!

 Vera Mello

                    

 

Na Orelha do Pandeiro      

(Bororó, Lucia Helena e Aldir Blanc)


A pancada aplicada no pandeiro 
ai que dor , o skindô que dor dá no batuqueiro, ô...
centra a corda e no surdo  o couro come-iscutum ,
País nenhum  no horror
Saculeja o  azar pra longe  e ginga
diz que dá pro seu santo o que sobra em pranto  e pinga ,
faz se é pro bem , mas pro mal não quer mandinga,
na raiz  popular que ya-ya enche a moringa
e o samba no pé

Vem de dentro do mar, vem do reino e da restinga
quando parece  morto do bolso sai coringa  
e o samba no pé
e o samba no pé
      
De esguelha na orelha  do pandeiro
ai , que dor, esse calor me lembrou do cativeiro, ô
eu sou negro e com a arma da risada , elegum,
não mais nenhum sinhô
vai dizer o que é bom no meu terreiro
ou tranformo a careta da mala num pandeiro
não  nasci em dezembro, não vivi no mosteiro,
nós brotamos da terra no mes de fevereiro
com samba no pé,
Sinto orgulho do meu sangue afro brasileiro
eu só tenho de meu minha cor, esse pandeiro,
e o samba no pé
e o  samba no pé

Serpentina carnavalesca - de volta aos princípios

Olá pessoal, hoje é a abertura oficial.
Ele volta ao trono mais uma vez e eu vou daqui lançando minhas serpentinas só pra gente relembrar os fundamentos do Reinado de Momo, a única autoridade que realmente respeitamos.

Sejam bons súditos , sambem muito, bebam menos e um fantástico carnaval.

Beijo purpurinado,
Vera Mello

Cravo e Ferradura (Cristovao Bastos / Aldir Blanc) 


Primeiro foi um som leve
de peneira peneirando,
o mar de idéias de um louco,
a água dentro do coco.
Foi crescendo entre palmeiras
e tambores batucando
um balbucio, um rugido,
um som de tragédia e circo,
um som de linha de pesca,
som de torno e maçarico.
Veio um som de escavadeira,
bate-estaca, britadeira,
um som que machuca e lanha,
um som de lata de banha,
som de caco, som de tralha,
era um som de mutilados
quebrando gesso e muleta,
um som de festa e batalha.
Ah, era um som que me
orgulhava,
som de ralé e gentalha,
era o som dos prisioneiros,
som dos exus catimbeiros,
ai, era o som da canalha:
trovão, forja, baticum,
som de cravo e ferradura
- Dez Mil Cavalos de Ogum!
Esse é o som da minha terra:
som de andaime despencando,
de encosta desmoronando,
de rios violentando
as margens do meu limite.
Samba, samba, samba,
pulsas em tudo que existe,
vazas se meu sangue escorre,
nasces de tudo o que morre.


quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Artesanato e prazer

Adoro trabalhar com tecidos e outros elementos de armarinho. Quando consigo juntar a eles os papéis, as tintas e os pincéis, esqueço do mundo. Esse prazer é muito antigo.  Começou na infância, no bazar de  meu pai.  O nome do bazar era "Casa do Amigo" e ficava em Piedade, do lado de cá, perto da estaçao de trem .  Eu simplesmente adorava aquele bazar/armarinho repleto de vários tipos de papéis, retrozes, meadas de linha, novelos, botões, brinquedos. Conheço cada material de armarinho pelo nome certo.  Ele me ensinou.  No carnaval tínhamos lá também confetes, serpentinas e lança-perfume Rodouro. 

Xiii... acho que vou ter que dar algumas explicações aqui. Vamos a um pequeno atalho.

Lança-perfume não era proibido na época.  Outra coisa.  Talvez vocês tenham estranhado o fato de eu me referir à localização do armarinho como " do lado de cá".  Quem nasceu e morou em Piedade nunca teve dúvidas com relação à localização do "lado de cá".  Lá você pode estar do lado de lá e falar que mora do lado de cá e todo mundo saberá a que lado você está se referindo.  OK... vou explicar para os não nativos.  O que divide os lados é a linha de trem da Central do Brasil e o lado de cá é o que tinha a Universidade Gama Filho.  O outro é o lado de lá, obviamente! Ai, ai... a gente tem que explicar tudo pra esse povo que não é suburbano, rsrsrsrsrsrsr.

Voltando ao artesanato.

A coisa começou no armarinho ajudando meu pai a empacotar presentes no Natal e a cobrir botões.  Naquela época era moda fazer blusas e vestidos com uma enorme carreira de botões cobertos pelo mesmo tecido do vestido. Quando os botões eram grandes , ele mesmo cobria, mas quando o freguês pedia 100 botões muito miudinhos, o meu velho não suportava e me pedia socorro.  Eu ia lá para trás da lojinha e passava a tarde cortando tecido e cobrindo botões. Eu a-do-ra-va fazer aquilo.  Essa paixão entrou pelas aulas de trabalhos manuais no primeiro gráu e foi recuperada com Joãozinho Trinta lá pelos meus 18 anos,  quando fizemos bonecos de papier mâché  para um teatrinho que íamos fazer para as crianças. Depois disso houve um longo hiato de vida adulta, trabalho, filhos, etc onde só a música foi possível fazer, mas foi ótimo também. Os trabalhos manuais ficaram restritos às fantasias do filho para as festas da escola e à decoração dos aniversários. Não tinha tempo para mais nada.

Alguns anos atrás, já com o filho adulto, redescobri o  prazer na loja "Flowers on Time" das minhas amigas Mariazinha e Verinha, lá no Shopping Itanhangá.  Elas são campeães ! Comecei fazendo caixinhas por pura curiosidade e vontade de ficar perto das mestrinhas que, além de boas Professoras, sao companhias agradabilíssimas. Depois comecei a fazer com elas outras coisas. Hoje são amigas de todas as horas .  Eu as amo apaixonadamente. Passei muitas horas agradáveis por lá e até hoje , de vez em quando , volto para uma aulinha extra para matar as saudades e aprender novas coisas.  Elas tem sempre algo novo a me ensinar e eu lhes sou muito grata por isso.

Certa vez, quando saía de casa para comprar material para fazer umas caixinhas, torci o pé numa elevação de asfalto quando ia entrar no ônibus que me levaria à Pça Saens Pena.  Eu morava na Tijuca nessa época. Sabe aqueles monturos de asfalto mal recapeado próximos aos pontos de ônibus ? Pois é,  foi num desses. O que eu conheço de gente que já se acidentou neles, é uma enormidade. 
A torção foi feia. O resultado do descaso da Prefeitura me rendeu muitas despesas médicas e 6 meses em casa com o pé engessado e em absoluto repouso.

Sem condições de sair de casa, decidi fazer uma deliciosa limonada com o limão que a vida me deu.  Coloquei um carrinho de chá ao lado da cama com caixas para pintar na parte de baixo e tintas e pincéis em cima. Pedi ao meu filho que comprasse algumas coisinhas que faltavam e o resultado foi uma série de caixinhas que durante quase um ano fui dando de presente para os amigos.  Foi um dos períodos da minha vida de maior produção de caixinhas.

Depois dessa primeira fase, comecei a preparar alguns objetos inspirados na obra de Aldir Blanc, para o espetáculo "Aldir à Vera"  , em aulas de objeto e escultura com a Professora Lia do Rio. Na interseção dos dois espaços nasceram as caixinhas poéticas.  Elas tinham a foto dos objetos que eu fiz para o espetáculo na tampa e, no verso dela, a letra que as inspirou. Foi outra febre. Dei uma de presente para o Aldir, outra para a Mariana Blanc , Diretora Geral do espetáculo, outra para a Mari, a esposa dele e sorteei outras para o público durante a temporada. Adoro presentear o público com minhas caixinhas.
É um pedacinho desses meus deliciosos momentos de alegria e paz que deixo com eles.

Depois delas comecei a criar caixinhas com meus próprios versos, inventei diferentes figuras e tirinhas para  acabamentos feitas no photoshop e outros softwares que fui aprendendo , enfim... a paixão me pegou.  Por causa delas, decidi evoluir para usar minhas próprias fotos. Com isso me inscrevi num curso básico de Fotografia quando estava no Canadá e estou prosseguindo o aprendizado aqui no Brasil no Atelier da Imagem. A fotografia me pegou pra valer também e no momento estou mergulhada nela.  Voltarei já, já e com mais vigor para o artesanato. Esse atalho foi bom, pois me permitiu escoar a produção que foi imensa , especialmente no período em que fiquei "de molho" em casa.  

Minha vontade de fazer artesanato sempre retorna quando sinto necessidade de descansar a mente.
O prazer de me mover entre tecidos, tintas , pincéis e papéis buscando soluções, experimentando, recortando figuras , me lambuzando, não tem preço.  Depois das caixinhas , comecei a fazer também abajures ,  caderninhos, vasinhos para as minhas plantas, armários, arcas, galeteiros, braceletes de feltro ... uma distração sem fim.

Aí vao algumas fotos dessas brincadeiras iniciais com ou sem poesias associadas. As fotos também são bem antigas, antes de eu ouvir falar em ISO , diafragma, obturador, profundidade de campo, essas coisas ... rsrs. Agora já ouvi falar nelas, mas estou ainda longe de fazer a máquina fotográfica obedecer às intenções imagéticas que tenho na cabeça.

No final da postagem incluí também algumas fotos do meu principal Ajudante feitas mais   recentemente . O nome dele é  Mel e ele faz muitas intervenções criativas.  Quando nao está criando, dorme ou brinca entre os materiais preferidos , geralmente nas horas mais impróprias, rsrsrsrssr.


Beijo procês.

Caixinha de bijuterias




Caixinha para guardar fumo e cachimbos, com figuras em relevo.  Dei de presente para o meu Terapeuta na época.
 
 Caixinha em formato de livro
 Caixinha de costura com figuras em relevo.
 Dei de presente também. Foi feita muito no
 início da minha febre de caixinhas . Importante       aqui foi que comecei a introduzir as tirinhas de       acabamento feitas em casa. Antes eu as
      comprava nas lojas de artesanato.





 Caixa de costura.  Na tampa, em relevo,  um bouquet feito de fecho-eclair, botões, linhas , colchetes e alfinetes.
Caixinha com imagem de uma cozinha country com figuras em relevo.  A figura ganhei de alguém, fiz apenas as tirinhas de acabamento , os relevos e o craquelê.   Dei de presente para a mana.












Caderninhos forrados de tecido. Presenteei muitos amigos com eles.

Caixinha e bloco de notas inspirados  na música
"O bêbado e a equilibrista" de Aldir Blanc e João Bosco. A letra vai no verso da tampa. Dei de presente para o Aldir após a realização do espetáculo em homenagem aos seus 60 anos. Ele adorava um bloco.  












Essa preta com pequenos bordados dourados e uma borboleta em lantejoulas na tampa, foi inspirada num verso meu: "Quando saí do nocaute, estava num breu, mas bordado!". Dei de presente para minha amiga Mariana Blanc, Diretora Geral do espetáculo de 60 anos que fizemos para Aldir. 








 
Essa com imagem de mulher na tampa foi inspirada num verso de Aldir : "Que não seja eu que, ao te amar, te martirize".  Dei de presente para a querida Mari no final do espetáculo dos sessenta anos de Aldir. 











Esse movelzinho era bem antigo. Ganhei de minha amiga Cristina e dei uma decupada nele. Hoje mora na varanda do apartamento novo. 
Essa é para guardar remédios e foi inspirada na música Beguine Dodói de João Bosco, Aldir Blanc e C. Tolomei.  A foto é de um objeto que fiz com base em gesso, gaze e bolinhas de algodão para o espetáculo "Aldir à Vera". 








Essa caixinha e esse bloco de notas foram    inspirados na música "O Mestre Sala dos Mares", de João Bosco e Aldir. A foto é do objeto de mesmo nome feito para o espetáculo "Aldir à Vera". Já falei dele antes aqui no blog. A letra vai no verso da tampa.
Jarrinhos de plantas para área externa






Galeteiros feitos com garrafinhas de cerveja.

Braceletes de feltro feitos por mim e pela norinha.






Capinha para celular
 


 
MEL, meu hiperativo  gato de beco que virou auxiliar  de criação e adora tecidos, meadas e novelos.
Quando não está criando, brinca e dorme entre seus materiais preferidos. Gato amaaaaaaado.


.



Um close  só para testar a nova lente macro
  

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Serpentina de Ano Novo

...os verdadeiros versos não são para embalar,
mas para abalar... (Mário Quintana).


Aconteceu aqui em casa. 2010 pousou na minha vida para abalar.  Metade dele no Canadá, metade cá, sem contar que 2009 foi praticamente todo lá.  Zuenir diz que o  Rio é uma Cidade Partida. Uma cuca partida numa cidade partida, tinha que dar no que deu, estou mais sacudida que cigarro em boca de bêbado.   Não tenho postado nada desde que cheguei do Canadá, mas começo lentamente a retomar os caminhos do blog.  Esse início foi para aprender.  As modificações dele estão a caminho.

Mudanças estruturais nunca vem sozinhas. Minha alma já não me veste como antes e  isso é muito interessante, considerando a trajetória de criatividade que se seguirá até a reinvenção de mim mesma. OK...você fica momentaneamente inviável para algumas pessoas e coisas  , mas também vocês queriam o que ?  O objetivo de  caçar a alma quando ela se perde é nobre e é assim que a coisa funciona se não
tivermos pânico de mudanças e formos dotados do necessário apetite existencial . Ah... a sensibilidade também nao pode ser igual ou menor que a de uma ameba, para que o reencontro futuro seja bacana, rsrsrsrsrsrsrsrsr.  

Meu tempo de Boas Festas sofreu um abalo sísmico com a perda de 3 grandes amigos que Papai do Céu levou.  Um deles me acolhia no Natal, o outro no Ano Novo.  O terceiro era uma alma peregrina que me servia de exemplo.  Eles eram tao extraordinários, que partiram levando  lágrimas e  deixando como legado , após o luto , a renovação da minha fé em mim mesma e uma triplicada alegria de viver . Eram pessoas que traziam tanto bom humor para a minha vida que não posso decepcioná-las. Nao quero que pensem que nao aprendi com elas as extraordinárias lições que me transmitiram.

O dever de casa está muito bom e eu estou tentando encontrar o lado interessante da coisa que leva ao crescimento  . Fernando Pessoa talvez expressasse os sentimentos que hoje me acontecem de uma forma mais simples.   Talvez dissesse apenas :  merda, sou lúcido! Eu estou me esforçando para usar linguagem menos chula, só porque estamos em tempos de Boas Festas, Ano Novo, essas coisas.


Os ganhos de 2009 e 2010 foram extraordinários, não só do ponto de vista da qualidade das lições quanto da qualidade dos novos amigos que vieram se juntar aos já existentes. Eles superaram em muito as perdas. Acontece que o gongo dos que Deus decidiu levar bateu muito forte em 2010, tao forte que de vez em quando me surpreendo em momentos de fé negociada. Aprendi isso com minha amiga Luiza.

Enfim... navego no meu barquinho e o mar está assanhado, mas azul.  É a vida sacudindo e tecendo sua teia para abalar  o que precisa sair da zona de conforto.  Como não costumo  ter muito medo dessas marés  (claro que tenho algum, sou corajosa mas nao sou maluca) , convoquei a transformação para a luta, montei um ringue inflável em pleno mar revolto  e cá estamos nós,  frente a frente, realizando mais um bom combate.  Tenho  um forte pressentimento de que sairei vitoriosa.  Na verdade, nem sei se esses combates terminam, me parece mais que a própria vida é o ringue e vivo hoje apenas um round mais disputado.    Deposito certa confiança no meu taco e também na sabedoria do Grande Espírito Transformador, ainda que estejamos em momento de negociação. Além disso,  " a gente tem que morrer tantas vezes nessa vida que já estou ficando craque  em  ressurreição" (aspas dessa vez para Elisa Lucinda) .

Que todos vocês sejam muito felizes em 2011  e mais blá, blá e blá mas que,  sobretudo,  permaneçam vivos!  Isso não é um pedido , é uma ordem.  Este item é de alta prioridade na nossa pauta de negociações. Quem estiver bem confortável em sua casa interna, que permaneça morando nela.  Quem não estiver,  que reencontre sua casa interna fazendo uma boa faxina, uma  boa reforma ou, simplesmente , mudando de endereço .  É o que desejo a todos em 2011.

Ultimo recado para os  que acreditam em mensagens esotéricas.  Dizem os sábios, os astros , as cartas e muitos outros saberes dominados pelas bruxas, que as mudanças nesse momento exigem espírito limpo e coração aberto,  mas muuuuuito atento, nada de sair cantando "mamãe eu quero"achando que a batalha está ganha. O  mar não está para peixe . Chegaram a dizer que seria melhor nao passar o reveillon de branco para não absorver o que está no ar.  Sendo assim, é hora  de ter calma e  aprofundar a compreensão das coisas que acontecem com você e ao seu redor, antes da tomada de importantes decisões.  Aquilo ou aquele que parece melhor,  pode nao ser. Já  aquilo ou aquele que parece não ser o melhor, pode lhe reservar ótimas surpresas para 2011. Ou não, rsrsrsrsrsr.
A  lição desse fim de ano parece ser: aprofunde a  compreensão com relação a todas os estímulos, pessoas e questões que chegarem até você tentando se manter num estado ao mesmo tempo: inquieto e relaxado, sério , alegre e leve . Difícil?  Eu também acho, mas vamos em frente.  Um velho amigo que também passou dessa para uma melhor, diria que a situação é grave, mas não é necessariamente séria.
A nossa paz será um pouco roubada, mas será passageiro.  Nas crises mais agudas é aconselhável meditar e deixar que as forças do bem soprem nossa vela e nos conduzam para a calmaria.  No final valerá a pena e, se nao valer, é porque ainda não é o final  (Eita! Essa última frase é batidona e foi criada por alguém que nao me lembro e não to nem aí , rsrsrsrsrsrsrsrs) .

Feliz 2011!
Beijo cheio de carinho, luz e esperança,
Vera Lúcia


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PS.:  Se ainda tiverem gás, releiam a  mensagem de Ano Novo que encaminhei em 2008, antes da temporada no Canadá.  Comunico que já  marquei um novo encontro comigo bem lá naquele lugarzinho mencionado na mensagem, logo após esse interlúdio.  Vocês estão previamente convidados para a festa. Quem quiser aparecer antes para trocar um abraço carinhoso, será muito bem vindo.  Atençao.  Reflexão e meditação não contaminam e não são sinônimos de depressão.  Eu vou muito bem obrigada.
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terça-feira, 15 de junho de 2010

Voltando para a Terrinha

Oi amigos queridos,

A Fotografa volta pra casa com muitas belas imagens do Canada' para colocar no blog.  Fiquem atentos, pois todas as estacoes do ano foram devidamente registradas para degustacao dos nossos exigentes olhares.  Chego amanha dia 16 de junho,  as 14 horas,  no Galeao, cheia de saudades e de vontade de abracar cada um lenta e demoradamente.
Um grande beijo,
Vera

quinta-feira, 22 de abril de 2010

This is it!

Prezados amigos,
Continuo em Montreal sem acentos, cedilhas, til  etc .
Peco licenca para falar  meio tardiamente da morte de Michael Jackson. Nao, nao me digam que estao cansados do tema, MJ e' tema para uma vida inteira.

Assisti "This is it" aqui em Montreal, logo que foi lancado, a uns meses atras. Vi o filme longe das telonas, em absoluto silencio, como em oracao. Desde aquele dia tento escrever algo sobre a morte de Michael Jackson e nao consigo. Hoje, no entanto, motivada por um artigo do Carlos Saul Duque, gentilmente enviado pelo meu amigo Tito, decidi que iria colocar o que penso aqui, mesmo sabendo que  o que vai escrito esta' muito longe ainda do que sinto e senti com sua morte.

Todos esses anos, sempre que me referia a MJ , me referia  como o "artista do seculo" e ultimamente, sempre que o via na media,  tinha a sensacao de que daquele dia ele nao passaria. Sua morte tardia me surpreendeu.  Penso que MJ resistiu muito, considerando seu talento e genialidade.  Artistas como ele nao duram  muito nesse mundo que inventamos.  Criatividade , sensibilidade e talento continuam sendo expulsos do cotidiano seja pela opressao do  discurso racional, seja pela maquina de fazer dinheiro, seja pela inveja .  Alguns artistas menos geniais morreram bem antes. Isso para mim explica sua fragilidade
ao final da vida.

O mundo nao estava preparado para  M.J.  Ele resistiu o maximo que pode.  Se aparecer algum outro, tambem nao estaremos prontos.  Nao falo isso como fa apaixonada apenas , falo como alguem que tem ca' alguns talentos e se esforca por viver  criativamente num mundo estruturado para dizimar a sensibilidade, a criatividade , a verdade e a liberdade , em todos os niveis em que elas  se manifestem.  Tente fazer da sua vida uma vida mais criativa e verdadeira com os amigos, na escola , na igreja, no banco , no seu trabalho, na sua casa com seus filhos , no sexo com o seu companheiro  e sua vida vai virar uma batalha cotidiana infernal enquanto paralelamente todos acharao voce uma pessoa interessante. Nao estou querendo dizer com isso que nao valha a pena.  Sempre valera' a pena , "tudo vale a pena se a alma nao e' pequena"  ja' diria Fernando Pessoa, o problema e' que alma grande nao se ve a toda hora, nao anda sobrando por ai'.  Vejo a criatividade como a unica forma de respirar nesse mundo, mas que da' um trabalho insano viver criativamente, da'!.  Sempre havera' uma mediocridade a espreita na esquina, aguardando para dar  conotacao de "inadequacao" ao seu pensamento inovador ou `a  manifestacao espontanea de algum rasgo de sua sensibilidade.   Somos "serial killers" de talento, de sensibilidade, de criatividade e de liberdade ha' seculos.  Matamos diariamente nossos melhores talentos no trabalho, nas escolas , nos bares , em casa .  Se nao o fazemos abertamente, trataremos de faze-lo velada e  "mui amorosamente", com frases do tipo: " que ideia maluca e' essa?", "pare de ser sonhador", "deixe de ser utopico e caia na real ", etc.

Meu sentimento ao ver o filme, foi  o mesmo do Colunista Carlos Saul Duque .   Me comovi `as lagrimas durante a filmagem dos ensaios, vendo o cansaco e o esforco de MJ na luta contra o que lhe parecia trivial, na luta de transmitir uma dinamica musical mais sutil e adequada `a expressao dos sentimentos de um ser humano recem ressuscitado.  Em alguns momentos ele parecia mesmo estar  "entregando os pontos" , parecia estar cansado de viver e se explicar ,  cansado de tentar expressar seu talento e sensibilidade para um mundo caduco, incapaz de conviver com a criatividade de um artista incomparavel.

Sofri  com a perda de MJ, mas ao mesmo tempo senti um certo alivio por ele. A morte, finalmente,  o libertou.  O mundo continuara' tentando lembrar dele mais pelas "esquisitices" , continuara' tentando enquadra-lo nas suas mediocres caixinhas. Quando nao conseguimos compreender um genio inovador, ao inves de empreendermos um esforco maior para que possamos absorver o que ele tem a dizer,  geralmente  o matamos,  o ignoramos ou tentamos fazer dele uma coisinha menor, para que fique `a altura de nossa limitada compreensao.  Michael nao permitiu que o ignorassemos , mas fomos tao crueis na nossa reducao que acabamos por afasta-lo dos palcos e ficamos anos sem acesso a grandiosidade do seu talento. O esforco para voltar, com a energia ja' bastante consumida pela crueldade do mundo , acabou sendo grande demais.

Li hoje uma frase do teologo liberal americano Henry Ward Beecher ,  que me chamou a atencao:
" O melhor sucesso de alguem, vem depois de sua maior decepcao" .  Michael parecia muito decepcionado com o mundo. Quanto a nos, perdemos o espetaculo do seculo e estamos agora tentando arranjar um bode expiatorio que nos redima, o pobre Medico que tentava ajuda-lo a suportar a maior crise ja' vivida  por um Artista. Culpando o Medico, pensamos redimir nossa culpa. This is it!